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Valores normais de ETCO2 e SpO2 em cães e gatos sob anestesia: o que cada parâmetro detecta

Sob anestesia, a capnografia (ETCO2) e a oximetria de pulso (SpO2) vigiam ventilação e oxigenação em tempo real. Veja faixas normais em cães e gatos, limiares de alerta e o que cada sinal antecipa.

Valores normais de ETCO2 e SpO2 em cães e gatos sob anestesia: o que cada parâmetro detecta

Sob anestesia, o dióxido de carbono ao fim da expiração (ETCO2) é tipicamente de 35 a 45 mmHg em cães e de 28 a 32 mmHg em gatos, enquanto a saturação de oxigênio por oximetria de pulso (SpO2) deve permanecer acima de 95% em pacientes respirando oxigênio suplementar. Em geral considera-se hipoxemia uma SpO2 igual ou inferior a 90%, que corresponde a uma PaO2 de cerca de 60 mmHg. A capnografia vigia a ventilação e a perfusão, e a oximetria vigia a oxigenação; juntas, antecipam problemas antes que se tornem clínicos.

Por que monitorizar ventilação e oxigenação na anestesia

Os anestésicos deprimem o centro respiratório e relaxam a musculatura, de modo que cães e gatos anestesiados tendem a hipoventilar e a depender de oxigênio suplementar. As diretrizes de monitorização anestésica do American College of Veterinary Anesthesia and Analgesia (ACVAA) recomendam o acompanhamento contínuo da circulação, da oxigenação e da ventilação durante todo o procedimento e a recuperação.

Capnografia e oximetria são complementares e não intercambiáveis. A oximetria responde à pergunta sobre quanto oxigênio o sangue arterial está carregando; a capnografia responde sobre quão bem o paciente está eliminando CO2, o que reflete ventilação e, indiretamente, débito cardíaco. Monitorizar apenas um dos dois deixa um ponto cego.

ETCO2: faixas normais e limiares de alerta

A capnografia mede o CO2 ao fim da expiração, que sob anestesia estável aproxima a PaCO2. Faixa normal por espécie: cão 35 a 45 mmHg · gato 28 a 32 mmHg. Em muitos protocolos uma faixa ampla de 35 a 45 mmHg é usada como referência prática durante a anestesia.

Limiares de alerta usuais: hipocapnia quando ETCO2 abaixo de 35 mmHg (hiperventilação, hipotermia, queda de débito cardíaco ou de perfusão pulmonar) · hipercapnia quando acima de 45 mmHg (hipoventilação). Hipercapnia leve a moderada, na faixa de 50 a 55 mmHg, costuma ser tolerada em pacientes estáveis; valores acima de 60 mmHg em geral indicam considerar ventilação assistida. Esses números são referências de monitorização, não condutas: a decisão é sempre do médico-veterinário responsável, conforme o paciente e o contexto.

O que a capnografia detecta precocemente: apneia, desconexão do circuito e extubação acidental (perda abrupta da onda), intubação esofágica (CO2 ausente ou próximo de zero), obstrução de via aérea (onda em barbatana de tubarão), reinalação de CO2 (linha de base que não retorna a zero) e queda súbita de débito cardíaco ou parada cardiorrespiratória (queda abrupta do ETCO2). Por isso a curva costuma alertar em poucos ciclos respiratórios, antes da dessaturação.

SpO2: faixas normais e limiar de hipoxemia

A oximetria de pulso estima a saturação da hemoglobina pelo oxigênio (SpO2). Em pacientes anestesiados respirando oxigênio a 100%, a leitura esperada é de 95 a 100% (frequentemente 98 a 100%). Considera-se hipoxemia uma SpO2 igual ou inferior a 90%, ponto que corresponde a uma PaO2 de aproximadamente 60 mmHg na curva de dissociação da oxi-hemoglobina.

Atenção a um ponto crítico: em pacientes respirando alto teor de oxigênio, a SpO2 pode permanecer próxima de 100% mesmo com a função pulmonar já comprometida, porque a curva de dissociação é plana nesse trecho. Ou seja, a oximetria detecta a hipoxemia com algum atraso nesses casos; é a capnografia que tende a alertar antes. Na recuperação, com o paciente já em ar ambiente, o limiar é mais sensível: um estudo veterinário propôs SpO2 abaixo de 95% como ponto de corte para hipoxemia (PaO2 abaixo de 80 mmHg).

O que a oximetria detecta: hipoxemia por hipoventilação grave, problemas de via aérea ou de troca gasosa, falha no fornecimento de oxigênio e baixa perfusão periférica (que também degrada o sinal). Leituras instáveis podem refletir hipotermia, vasoconstrição, movimento ou pigmentação, e exigem correlação clínica.

Resumo de referência: cão e gato

As faixas a seguir são referências gerais de monitorização ancoradas nas diretrizes ACVAA e em literatura veterinária; a interpretação e a conduta cabem ao médico-veterinário responsável, considerando espécie, FiO2, estado do paciente e o procedimento.

ParâmetroCãoGatoAlerta
ETCO₂ (mmHg)35 a 4528 a 32< 35 hipocapnia; > 45 hipercapnia; > 60 ventilar
SpO₂ sob O₂ 100% (%)95 a 10095 a 100≤ 90 (PaO₂ ~60 mmHg); recuperação em ar ambiente cão < 95

Monitorização multiparamétrica conectada

Como ETCO2 e SpO2 contam histórias diferentes e em tempos diferentes, a monitorização anestésica segura combina capnografia, oximetria, eletrocardiograma, pressão arterial e temperatura no mesmo painel. Um monitor multiparamétrico como o <b>IN</b>monitor centraliza esses sinais e os integra à plataforma <b>IN</b>pulse, com histórico no <b>IN</b>cloud para registro e auditoria do procedimento, em linha com a recomendação ACVAA de documentação detalhada.

Fontes

  1. Bailey K, et al. The American College of Veterinary Anesthesia and Analgesia Small Animal Anesthesia and Sedation Monitoring Guidelines 2025. Veterinary Anaesthesia and Analgesia. (2025) PMID 40447502
  2. Updated ACVAA Small Animal Anesthesia Monitoring Guidelines Are Available! American College of Veterinary Anesthesia and Analgesia. (2025)
  3. Ko J, Krimins R. Anesthetic Monitoring: Devices to Use and What the Results Mean. Today's Veterinary Practice. (2012)
  4. Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice. (2024)
  5. Flynn J. Understanding capnography and anesthesia. Veterinary Practice News. (2019)
  6. Piemontese C, et al. The incidence of hypoxemia in dogs recovering from general anesthesia detected with pulse-oximetry and related risk factors. The Veterinary Journal 305:106135. (2024) PMID 38750813
  7. 2020 AAHA Anesthesia and Monitoring Guidelines. American Animal Hospital Association. (2020)